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  • Annelise Godoy

NÃO AO REVOLVER NO COLDRE

A CULTURA PRECISA É DE PERSPECTIVA

Um sopro de perspectiva revela a força da Cultura diante da inversão do papel do Estado.

Desde que se abriu a caixa de pandora em 2018, tudo passou a ser possível.

Deixamos de enxergar o Brasil que tínhamos, com todos os seus erros e dificuldades, mas que estava atuando de forma espontânea à sua formação identitária, com crescente espaço para a produção artística, para as novas opções de criação, de gênero, de inovação nas artes e até de uma certa desordem conceitual.

No mundo, em 2019 a Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) estimou que o setor da cultura era o responsável por gerar cerca de 30 milhões de empregos e movimentar US$ 4,3 trilhões ao ano (R$ 17,4 trilhões), equivalente a aproximadamente 6% da economia global.

O Brasil seguia nessa corrente, ampliando o mercado da cultura e entretenimento, abrindo oportunidades e novos negócios aqui e fora, contando já com grande respeito de sua produção criativa em todo o planeta e atingindo o patamar de 2,6% do PIB Nacional.

Havia um país verde e amarelo para todos. Nada era fácil. Aliás, nunca foi fácil, mas havia perspectiva e isso é o que sempre fez pulsar o coração do setor.

Mas, como na fábula de La Fountain, onde a Formiga desdenha da arte da Cigarra, hoje ouvimos e vemos em redes sociais, facebooks e whatsapps o mesmo escárnio do século XVII, que passou a ser arma política ganhando adeptos e fakenews desde 2015.

Olhamos para nossas históricas instituições de cultura como Funarte, Ancine e até na poeira do que restou do MINC e vemos seus gestores empunhando mais revolveres que canetas que deveriam assinar projetos e leis para garantia de nossa existência no setor. Homens que portam armas, mas não se importam em decretar vetos contra os direitos dos trabalhadores da cultura que deveriam proteger.

O que mudou? Parte da sociedade passou a criminalizar o setor e contou com o silêncio das grandes mídias. E essas também contribuíram com publicações em grandes manchetes de casos pequenos, com explicações evasivas e mal forjadas, fazendo valer a parte pelo todo, atirando o setor no profundo buraco da ignorância e rancor, sem rede de proteção.

E ainda veio o alçapão da pandemia que só escancarou ainda mais todas as mazelas, os descasos, com holofotes gigantes sobre a sua fragilidade.

Há meses o Movimento Sou 1 de 11 Milhões de Trabalhadores da Cultura, ao lado de outros tantos movimentos importantes do país e parlamentares dedicados às causas do setor, luta pelos direitos de quase 11 milhões de profissionais que atuam direta ou indiretamente na cultura e que estão sem trabalho.

Porém, com as novas movimentações nas ruas, cobrindo avenidas com rostos estampado de esperança, a forte atuação para implantação da Lei Aldir Blanc II como sistema permanente de apoio ao setor, a Lei Paulo Gustavo e outras ações dirigidas de apoio, sentimos um novo sopro. E é do vento ainda resistente, mas já presente, da perspectiva.

Temos hoje a certeza que não serão vetos, nem revolveres, nem projetos cancelados, nem tiros nos olhos inocentes que vão tirar a força da criação artística e do povo.

Estamos nos fortalecendo, segurando um a mão do outro, ouvindo e participando cada vez mais de movimentos pipocando em cada região, de cada segmento da cultura, entendendo que a vida se torna possível nas parcerias e na luta conjunta.

Parceria não mais de 1, mas de milhões.

E agora os novos ventos estão vindo e não vão mais parar.



Texto

Annelise Godoy


Produtora Executiva. Foi Gerente de Comunicação no Instituto Alfa de Cultura, para o ABN Amro e CervBrasil. Diretora executiva na Associação dos Amigos do MIS SP e Philarmonia Brasileira Produções. Em 2019 foi Coordenadora do Curso de Produção Cultural na UNEMAT (MT). Hoje atua como Presidente da Associação Movimento Nacional Sou 1 de 11 Milhões de Trabalhadores da Cultura desde outubro de 2020.




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Venha fazer parte do Movimento Sou 1 de 11 milhões.




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